Planilha de follow-up de vendas: o modelo que funciona (e os 4 sinais de que você já passou do ponto dela)

Eddie Moraes5 min de leitura

Quase toda planilha de follow-up de vendas morre da mesma forma: nasce bonita numa segunda-feira, é preenchida com capricho por duas semanas, e depois vira um arquivo que ninguém abre porque todo mundo sabe que está desatualizado.

O problema raramente é a planilha. É que a maioria delas foi montada para registrar o que aconteceu, quando deveria ter sido montada para cobrar o que falta acontecer.

Este texto tem as colunas exatas, as duas fórmulas que fazem a diferença, e a parte que ninguém escreve: como saber a hora de parar de usar planilha.

O que uma planilha de follow-up precisa ter

Dez colunas. Nem mais, nem menos — cada coluna a mais é uma coluna que alguém vai esquecer de preencher.

# Coluna Para que serve
A Cliente Nome de quem decide, não da empresa
B Contato WhatsApp ou telefone
C O que ele quer Em uma linha, do jeito que ele falou
D Valor Quanto vale se fechar
E Etapa Novo · Orçamento enviado · Negociando · Fechado · Perdido
F Último contato A data em que você falou com ele
G Próximo contato A data em que você vai falar
H Dias parado Calculada, não digitada
I Situação Calculada, não digitada
J O que ficou combinado A frase que ele disse, não o seu resumo

A coluna G é a que separa uma planilha viva de um cemitério. Se você preencher todas as outras e deixar essa em branco, a planilha não serve para nada — ela vira histórico, e histórico não vende.

E a J é a mais subestimada. Anotar "ele vai ver com o sócio e me responde até sexta" vale dez vezes mais que anotar "aguardando retorno". A frase dele te dá o gancho da próxima mensagem.

As duas fórmulas que fazem a planilha te avisar

Sem elas, você precisa ler linha por linha para saber o que está atrasado. Com elas, a planilha te diz.

Na coluna H (Dias parado), na linha 2:

=SE(F2="";"";HOJE()-F2)

Na coluna I (Situação), na linha 2:

=SE(G2="";"SEM DATA";SE(G2<HOJE();"ATRASADO";SE(G2=HOJE();"HOJE";"EM DIA")))

Arraste as duas para baixo.

Depois, selecione a coluna I e aplique formatação condicional: vermelho para ATRASADO, amarelo para HOJE, cinza para SEM DATA. No Google Sheets fica em Formatar → Formatação condicional; no Excel, na aba Página Inicial.

Pronto. Agora a planilha tem opinião.

Como usar em 15 minutos por dia

A rotina é sempre a mesma, e é curta de propósito — rotina longa não sobrevive a uma semana corrida.

1. Filtre a coluna I por ATRASADO e HOJE. Essa é a sua lista do dia. Ignore o resto da planilha.

2. Trabalhe de cima para baixo, do maior valor para o menor. Ordene pela coluna D se a lista tiver mais de dez linhas.

3. A cada contato feito, atualize três células: F (hoje), G (a próxima data) e J (o que ele disse).

Esse terceiro passo é o único que exige disciplina, e é o único que importa. Contato feito sem próxima data marcada é contato que vira sumiço.

Qual a diferença entre uma planilha e um CRM

A resposta honesta não é "o CRM tem mais recursos". É mais simples que isso:

A planilha é passiva. O CRM é ativo.

A planilha guarda a informação e espera você perguntar. Se você não abrir, ela não te procura. Se você viajar uma semana, ela não te avisa que sete orçamentos venceram. Ela faz exatamente o que você mandar, inclusive nada.

Enquanto o volume é pequeno e só você mexe, essa diferença não custa caro. A partir de certo ponto, custa.

Os 4 sinais de que você já passou do ponto da planilha

1. Você abre a planilha e não confia no que vê

Bate o olho e pensa "isso aqui deve estar desatualizado". Nesse momento a planilha já morreu — você só ainda não enterrou. Uma ferramenta em que você não confia não é consultada, e ferramenta não consultada não existe.

2. Duas pessoas mexem e as versões divergem

Alguém baixou, editou offline, subiu por cima. Ou dois vendedores atualizaram a mesma linha ao mesmo tempo. Quando a pergunta "qual é a versão certa?" aparece numa reunião, a planilha virou o problema em vez da solução.

3. Você lança depois, e o depois não chega

A venda acontece no WhatsApp, no carro, no corredor. A planilha está no computador. Entre os dois existe um "depois eu lanço" que engole metade dos registros. Não é preguiça — é que o momento de vender e o momento de registrar não são o mesmo momento, e a planilha só aceita o segundo.

4. Você perdeu uma venda que estava na planilha

Este é o sinal definitivo. O cliente estava lá, a linha estava preenchida, e ninguém retornou. A planilha tinha a informação e não fez nada com ela — porque planilha não cobra, planilha espera.

Se aconteceu uma vez, aconteceu outras que você não descobriu.

O que vem depois

Não corra para um sistema grande. O erro comum é sair de uma planilha simples e ir para uma ferramenta com vinte telas que ninguém preenche — o que dá no mesmo resultado, com mensalidade.

O que resolve os quatro sinais acima é qualquer sistema que faça três coisas:

  • Registrar no momento da conversa, não depois
  • Ser um só para o time todo, sem versões paralelas
  • Cobrar você, em vez de esperar

O Comando Vendas resolve a primeira delas de um jeito específico: você manda um áudio de oito segundos dizendo o que ficou combinado, e o cliente entra no funil com a data do próximo contato já marcada. Sem digitar, sem abrir planilha, sem depois.

Mas o ponto vale independente da ferramenta. Se o seu processo depende de você lembrar, ele não é um processo — é sorte com nome de método.


E se você ainda está no começo, com dez ou quinze clientes ativos, monte a planilha das dez colunas hoje mesmo. Ela resolve bem por um bom tempo. Só não ignore os quatro sinais quando eles aparecerem.

Veja a comparação com Agendor, Kommo, RD e Pipedrive →

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